Wednesday, September 19, 2007

Ontem

Morreu um homem que eu não conhecia. Na verdade, não morreu ontem; fiquei sabendo ontem. Para mim, foi ontem.
Vendia bonecos de retalho nas madrugadas, nos bares. Sempre me arrancava uns sorrisos, menos freqüentemente uns trocados.
Certa vez, sabendo do meu aniversário, perguntou se eu não queria encomendar uma caricatura. “Não fica igual”, avisou. Eu ri e deixei por isso mesmo. Perdi para sempre a oportunidade de ser eternizado na sua galeria de pano, ao lado de Zé Celso e da simpática cobrinha Tuli-Tuli.
Os botecos perderam mais um personagem. Posso dizer que das pessoas que não conheci, ele era a mais bacana.

2 comments:

belowthenose said...

Morreu? Não acredito. Velho doido, gênio incompreendido, careca cabeludo, artista da terra.

Ainda bem que comprei aqueles demônios de pano na baixa e agora que ele morreu e vão virar cult vendo em alta.

paulinha said...

Nossa! acho que preferia não saber dessa noticia...afinal eu não o encontraria mais, e acharia que era coisa do acaso e que ele ainda estava por ai, nas ruas, com sua sacolinha.

Se eu não soubesse dessa notícia, nunca ia pensar: "Será que aquele velhinho que eu comprei bonecos um dia, que deu pulos de alegria e me abraçou (pq comprei 2 de uma vez), morreu?

Se eu não soubesse dessa notícia, talvez não sentiria essa dorzinha agora, que eu não sei bem o que é.

Se eu não soubesse dessa noticia, PEDRO, talvez eu não daria um pouquinho mais de valor pra esse momento de vida, o agora.

Mas mesmo sabendo dessa notícia, ele estará eternizado na minha lembrança, e na minha mesa de computador de casa, onde todos os dias eu vejo a tal cobrinha e o tal elefantinho, presentes que dei para minha mãe e minha irmã.

Agora que eu sei dessa notícia, vou tentar levar a vida de uma jeito mais simples, como se vendesse por ai alguns bonequinhos, "de tão feios, bem bonitinhos".

=Paulinha