Friday, November 6, 2009

Torcendo

Para chover quando você chegar.
Para cairem pedras de gelo desse tamanho quando você chegar.
Para a cidade congelar em engarrafamentos assim que você chegar.
Para você chegar, ouvir no rádio, ver na janela e confirmar na TV.
E aí, sugerir que a gente fique em casa o dia todo.
Afinal, com esse tempo...

Thursday, November 5, 2009

Arranque

Os contos ruins da gaveta.
Bote logo num blog, num livro, num zine.
Escreva. E principalmente mostre.
Para alguém você não confie.
Tem coisa que não melhora. Não insista.
Exorcize um, dois, quantos forem.
Se não sobrar nada, melhor assim.
Antes com os outros que contigo.

Eficiência

Nem toda fotografia é arte.
Nem toda literatura é séria.
Um cineminha também faz parte.
Porque nem toda palavra é dor.

Tuesday, October 20, 2009

Mensagem De-Para

Fosse a caneta, mais redonda a letra.
Fosse papel, menos azul.
Na tela, o login roubado
A escrever resposta do mesmo lado:

Meu peito, meu pulso, meu nariz
Acolhe e pensa,
Marca da amarra do elástico,
Cheira o cansaço da espera
Porque você me dá história.

Friday, October 16, 2009

Esperar a sua mulher no aeroporto dia desses.
Saia de casa cedo demais, corra e chegue bem antes da hora. Esqueça o celular no carro, esqueça o número do vôo, escolha um lugar privilegiado. Ao lado da porta, na frente dos outros, empurrando a fita de isolamento, espere. Olhe cada passageiro querendo que seja. E espere. Tente advinhar o voô pelas roupas dos que chegam, tente encontrá-la pelas malas que giram lá no fundo, não consiga. E espere. Olhe lá longe. Arrastando a mala que você não achou, o cansaço da semana que você não viu, é ela. Arrastando a asa para você. Tá esperando o quê? Termine o conto. Comece outro.

Friday, October 9, 2009

Penso

no desenho que o elástico de cabelo deixou no seu pulso,
na dobrinha da sua orelha,
no gelado do seu nariz.
E por hoje é só.
Amanhã arrisco um pouquinho mais.

Monday, October 5, 2009

Quem faz

não canta,
não pinta,
não escreve;
mal diz.
E, quando diz, é no ouvido.