Friday, January 19, 2007

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O dia me nasce pelos ouvidos. Vejo o som, fluido e sépia, invadir o quarto. A beleza da época em que se ouvia rádio com olhos de ver TV. Deixo a música arrancar minhas cobertas, sigo-a com o corpo. Paro um instante em frente à porta fechada. Hesito.
Abro-a num só golpe, como um figurão entrando num cabaré.
Tudo emudece. Uma senhora varre a cozinha. Reconheço os traços de uma bela mulher. Minha avó sorri. Sorrio de volta. Ela se afasta. A vassoura de piaçava arranha os tacos do corredor. Ouço um sussurro melódico, provavelmente imaginário.

5 comments:

Marina said...

Muito bem sr. Pedro! Adorei o blog, gostei de "Hoje". Não sei como mas meu nome já estava aqui. Seu blog já me conhecia... Que coisa! Gostei também do nome do blog, queria um criativo pra mim mas não encontrei... Vou adicionar em favoritos. Escreva mais que amanhã eu volto. Até.

Carolina said...

Muito boa a forma que tu escreves, entro no teu mundo, talvez seja esta a tua intenção, ou tlvz não. fato que me sinto lá. :)
continue... e blog já esta nos favoritos


Carolina (do email, lembra?)

Roseane said...
This comment has been removed by the author.
Roseane said...

Gosto. Gosto de ler.
Adoro ouvir as letras na tua voz quente a café - amargo e grande.
Amo. Amo o que houve, o que há, o que virá a haver sempre vivo em você. Sempre vivo em você.
Lembrei do poeta distante dos e-mails diários. Amo-o, como já amava.
Sobre o que sinto agora, sobre o poeta que vivo - tão perto que dentro - já não cabem morfolosintáxes na semântica.
Sobre o que está por vir (ou melhor, sob - pois sempre me vem de cima, fluindo de asas) há todo o sonho da perfeição eterna, além do que se possa idealizar possível - o infinito tão belo, leve, puro e perfumado que há no amanhecer novos dias, ainda mais perfeitos, no despertar de nariz, cheirando os sons dos seus cabelos.

p said...

Muito obrigado. :)