O avô coloca cinco potes no telhado, um para cada gato.
O imenso desnível da calçada permite que ele alcance as cinco primeiras telhas na ponta dos pés. O formato das grandes telhas de fibra permite que os potes e os gatos se acomodem perfeitamente.
A neta imagina que, se ele arranjar mais um gato, terá que construir outra casa.
Curtem poucos os minutos do café-da-manhã. Ajustam o alarme para não olhar a hora. Guardam os bocejos para não perder o tempo. Sem remédio, começam o dia de aguardar a noite. E tomam pílulas de literatura no celular.
Você amanheceu com o humor do avesso. Partiu para cima de mim com unhas e escovas de dentes. Irritou-se com o meu relevar o sério. Perguntou-me que tipo de homem se esconde atrás de felicidade de café-com-leite. Sumiu de laptop nas costas. E eu achei bonitinho. A fotografia antiga da criança que chora por manha. Que revelo. E espero que você não brigue. E, se brigar, que perdoe o meu sorriso.