Wednesday, February 28, 2007
Sunday, February 25, 2007
Monday, February 5, 2007
De passagem
Saco plástico de farmácia, contendo nota fiscal para uma escova de dentes Colgate Pro. Moedas de 5 centavos. Embalagem de Clorets pela metade. Fósforo de restaurante. Canhotos de gastos em bares. Lanchonetes. Deixados para trás. Podiam significar alguma coisa. Contar histórias, revelar segredos, pecados e prazeres. Não. São apenas coisas que pessoas esquecem. Ruas, nomes, números, postes. O sol. A paisagem. Uma camareira de hotel. A cidade. Coisas de que pessoas apressadas não fazem questão de lembrar. Não têm importância. Não dão um conto.
Sunday, January 28, 2007
Friday, January 26, 2007
Todas as idéias são boas. Geniais. Fantásticas. O que estraga tudo são as pessoas. As que acreditam nelas. Esse tipo de gente que atormenta a idéia até virar. Aí, a idéia vira. Na maioria dos casos, lixo estéril. Em outros, só um projeto fracassado. Muito, muito raramente algo que conserva uma pequena fagulha criativa, uma mínima sombra de idéia. Infelizmente, idéias inocentes são sacrificadas no processo. E isso é triste. Você já viu uma idéia morrer? Não é uma cena bonita, definitivamente. Ela se agarra nos cantos do cérebro, arranha o ego, arranca pedaços da auto-estima, esperneia por toda caixa craniana e agoniza ali, bem diante dos olhos. Muita gente fica traumatizada e nunca mais acredita em idéias. Outros se acostumam. Com tempo, param de sentir qualquer tipo de piedade. Sacrificam idéias às centenas, aos milhares. Concebem e cutucam as coitadas até se satisfazerem com a costela de uma ou outra. Essa gente se alimenta disso. Disso, e das poucas idéias que se adaptam fora do conforto de um pensamento. Essas estranhas criaturas que sobrevivem ao mundo que não é ideal. Mas existe.
Monday, January 22, 2007
Bandeira a 2
Seus dentes
Branqueados
Abrem caminho
Oferecem carona
Ao meu sorriso
Taxear
Sem mais ser
Passageiro.
Branqueados
Abrem caminho
Oferecem carona
Ao meu sorriso
Taxear
Sem mais ser
Passageiro.
Friday, January 19, 2007
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O dia me nasce pelos ouvidos. Vejo o som, fluido e sépia, invadir o quarto. A beleza da época em que se ouvia rádio com olhos de ver TV. Deixo a música arrancar minhas cobertas, sigo-a com o corpo. Paro um instante em frente à porta fechada. Hesito.
Abro-a num só golpe, como um figurão entrando num cabaré.
Tudo emudece. Uma senhora varre a cozinha. Reconheço os traços de uma bela mulher. Minha avó sorri. Sorrio de volta. Ela se afasta. A vassoura de piaçava arranha os tacos do corredor. Ouço um sussurro melódico, provavelmente imaginário.
Abro-a num só golpe, como um figurão entrando num cabaré.
Tudo emudece. Uma senhora varre a cozinha. Reconheço os traços de uma bela mulher. Minha avó sorri. Sorrio de volta. Ela se afasta. A vassoura de piaçava arranha os tacos do corredor. Ouço um sussurro melódico, provavelmente imaginário.
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