Um homem me estica palavras redondas num papel.
–A rua do papel é a da placa?, diz espremendo os olhos.
–É.
–É que eu leio mas não vejo, mente e sorri.
–Sei como é, minto e sorrio.
Eu tenho mais dentes. Ele, mais sorrisos.
Friday, September 25, 2009
Tuesday, September 15, 2009
Monday, September 14, 2009
Vestida de cinza
A cidade espera,
Os carros esperam,
As pessoas esperam.
A chuva não espera por ninguém.
Os carros esperam,
As pessoas esperam.
A chuva não espera por ninguém.
Friday, September 4, 2009
Faltas
–Não tenho parede descascando nem guardo meus livros em caixas de fruta. A grana não sobra nem falta. Família está bem, o amor tá jóia rara/
–Desculpe, mas já deu 45 minutos.
–Semana que vem eu volto.
–Desculpe, mas já deu 45 minutos.
–Semana que vem eu volto.
Wednesday, September 2, 2009
Wednesday, August 26, 2009
Às vezes
Acho que Calvino me despiu da fantasia.
Só vejo Rubem Braga roubando ideias com um puçá de catar piaba.
Ou Borges tateando quinas na minha cabeça e espremendo pensamentos como pulgas.
Aí, encho o peito de vazio e leio um bom livro para reatar o romance.
Só vejo Rubem Braga roubando ideias com um puçá de catar piaba.
Ou Borges tateando quinas na minha cabeça e espremendo pensamentos como pulgas.
Aí, encho o peito de vazio e leio um bom livro para reatar o romance.
Friday, August 21, 2009
O tempo que passa
É pele sobre a pele. São camadas que se acumulam, é poeira.
Vez em quando preciso tomar um banho longo, desses que matam o planeta. E te dar um esfregão forte para arrancar o que não presta.
Só assim o tempo pára.
Vez em quando preciso tomar um banho longo, desses que matam o planeta. E te dar um esfregão forte para arrancar o que não presta.
Só assim o tempo pára.
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